FAVELA

  • admin
  • fevereiro 10, 2015

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Considerada a maior favela da América do Sul, com uma história de guerras entre o tráfico de drogas e a polícia local, Rocinha conta mais de 150 mil moradores.

Em novembro 2011, depois de 40 anos de um “poder paralelo”, a favela foi teatro de um acontencimento histórico: a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) junto com outros corpos especiais e nucleos militares, ocupou a favela e “removeu” o tráfico de drogas.

Mesmo assim, a favela continua sem serviços básicos e muitas famílias vivem em condições de extrema pobreza.

A comunidade está vivendo um período mais tranquilo, mesmo não tendo adquirido alguns requisitos fundamentais por ser considerada um bairro da Cidade do Rio de Janeiro, como o saneamento básico, água corrente, iluminação pública, educação e saúde.

Muitas vezes, também, há casos de abuso de poder por parte da polícia, violação dos direitos humanos e dos direitos de cidadania.

Situada em baixo do Morro dos Dois Irmãos, nas costas dos bairros muito ricos de São Conrado, Leblon e Ipanema, a Comunidade da Rocinha tem muitos problemas: as condições higiénicas e sanitárias são muito precárias, a super lotação e a humidade das casas causam a propagação de doenças quais o cólera, a febre amarela, a hepatite, meningite e dengue.

Á tudo isso tem que somar o fato que os moradores das favelas são discriminados e guetizados, freqüentemente não têm acesso à instrução e à assistência sanitária e vivem o mundo do trabalho em uma situação muito complexa e demotivante, com percentagem de desemprego muito alta.

Em um momento de transição tão delicado, “Il Sorriso dei miei bimbi” oferece o próprio trabalho para a comunidade, com um espirito de partecipação, ponte intercultural entre Itália e Brasil e prestando muita atenção às exigências de um povo que necesita de visibilidade, dignidade e direitos.

UM POUCO DE HISTÓRIA

A favela da Rocinha nasceu no começo dos anos ’30, ao redor de um complexo de habitações de italianos e nordestinos. No princípio era constituida sómente por poucas barracas de madeira e de outro materiais reciclados. Com o tempo, desenvolveu-se bastante, agora existem edifícios de tijolos, existem as conexões (quase sempre ilegais) para água, eletricidade e telefone e também atividades comerciais.

Até novembro 2011, a comunidade da Rocinha foi uma das mais importantes e maiores bases do comércio de cocaína e maconha do País: entre os barracos tem as casas dos traficantes, que nunca deixaram de usar o povo como “escudo humano” contra as invasões da polícia. Antes do posse da “Polícia Pacificadora”, em novembro 2011 na Rocinha teve uma guerra entre várias bandas do trafico e também várias operações da Polícia, que causou a morte de muitos moradores inocentes, vítimas das balas perdidas.

VOLTA AO TEMPO

Entre 1896 e 1897 milhares de “sertanejos” (moradores da região do Sertão), liderados por Antônio Conselheiro, cansados das humilhações e das dificuldades de sobrevivência num Nordeste que pertencia àos grandes proprietário de terras e onde tinha a seca, criaram a cidade de Canudos (no Estado de Bahia), em oposição á situação desastrosa na qual viviam.

Muitos sertanejos estabeleceram-se perto do “Morro da Favela”, que deve o próprio nome á planta (fava). Com medo que a revolta pudesse minar os fundamentos da recente República, o governo central ordenou um verdadeiro massacre em Canudos, com milhares de mortos, torturas e estupros de grupo; a ocorrência ainda é um dos episódios mais sombrios da história militar do Brasil, tanto mais lamentável dado o enorme apoio popular que teve. Quando os soldados republicanos retornaram ao Rio de Janeiro, não receberam mais o salário e, como resultado da deterioração das condições de vida, estabeleceram-se em barracos de madeira nas colinas que cercam a cidade (o primeiro assentamento foi o atual Morro da Providência), que foi chamado de “favela”, relembrando as terríveis condições de Canudos.

Esta tipologia de alojamento foi usada pelos escravos liberados que não podiam viver no luxo da cidade, e começaram a povoar os morros. O termo “favela” foi usado para nomear todos esses modelos de habitação abusivas e foi imediatamente interpretado como sinônimo de pobreza, abandono e decadência social.

Por incrível que pareça, desde então, a situação da Comunidade da Rocinha se manteve praticamente a mesma até novembro de 2011, quando a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), juntamente com outras forças especiais e núcleos militares, ocupou a favela e eliminou o narcotráfico, após mais de 40 anos de “poder paralelo”.

A operação foi realizada como parte do plano elaborado pela Secretária Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro para remover o tráfico de drogas nas maiores favelas da cidades (mais de 1000) e, apesar de momentos de alta tensão, pânico e medo, nao teve violência e nem tiroteio.

CURIOSIDADE: a origem do nome da Rocinha

Durante os anos 30, após o colapso da bolsa em 1929, que levou muitos produtores de café á falência, a terra da Fazenda Quebra Cangalha foi invadida e dividida em pequenas fazendas que venderam os próprios produtos na praça Santos Dumont, na qual fluíam as entregas de toda a zona sul da cidade.

Então, quando os clientes perguntavam de onde vinham toda a mercadoria, os agricultores respondiam: “Vêm de lá, de uma rocinha logo acima do bairro da Gávea.”

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